concelho/cartografia

Breve Caracterização Humana

Actualmente, a densidade de repartição da população representa o indicador com maiores assimetrias regionais e sub-regionais, que se evidenciam a diferentes escalas de abordagem.
De igual modo, a estrutura da população activa, bem como a sua composição profissional, constituem bons indicadores da forma como vivem as populações, todavia, não representam os seus verdadeiros estilos de vida. Na realidade, muitos trabalhadores do sector secundário ou terciário continuam a ser rurais, enquanto alguns dos que vivem da terra se integram no estilo de vida urbano.
Com uma superfície de 553,5 km2 e 19 512 habitantes, o concelho de Valpaços apresenta um povoamento rural com tendência para se organizar de um modo ordenado ao longo das vias de comunicação ou em pequenas concentrações, apesar de algumas concrecções isoladas, tendentes para a dispersão.população
Aquando da realização do último Recenseamento Geral da População (2001), Valpaços detinha uma densidade populacional de 35,85 habitantes/ km2.
No concelho de Valpaços a distribuição geográfica da população configura-se, essencialmente, na concentração em torno de três freguesias, a saber: Valpaços com 4421 habitantes (129,27 hab./ km2), Carrazedo de Montenegro com 1818 habitantes (55,24 hab./ km2) e Vilarandelo com 1123 habitantes (49.6 hab./ km2).
É ainda de salientar que estas freguesias se situam no cruzamento das principais vias de comunicação que atravessam o concelho. mapa

Caracterização biofísica

Hipsometria
De Norte para Sul, salienta-se desde logo o relevo transmontano como exemplo do extenso domínio dos elementos planos, colocados a diferentes níveis, embora com o mais importante, a Meseta, a desenvolver uma superfície pelos 700-800 metros de altitude, com forte regularidade a Norte do rio Douro, por quase todo o Noroeste (Pierre Birot, 1946; A. Brum Ferreira, 1978 e 1991).
Detentor de um particular interesse paisagístico, o concelho de Valpaços agrega diversos e importantes elementos naturais e humanos, com características específicas e contrastantes, mas de grande valor cénico, e onde a geologia do xisto e do granito, o relevo, a ocupação do solo, os valores culturais e os vales dos principais rios e seus afluentes têm grande expressão visual.
Devido à sua importância local, há que destacar relevos salientes de origem tectónica, posterior à grande aplanação – a serra da Padrela com 1148 metros de altitude poderá constituir um exemplo, mas também a do Barracão com 786 metros. A sul do concelho o relevo é marcado pela sub-região de Santa Comba que se eleva até aos 1013 metros de altitude. Por sua vez, a área central e oriental do concelho é marcada pelo fosso tectónico, onde se encaixa o rio Rabaçal e respectivos afluentes – o que confere características bioclimáticas específicas à área geográfica em questão, além do correspondente substracto geológico.
santa combaDo ponto de vista geomorfológico, o concelho caracteriza-se por uma situação de montanha – na área Oeste a serra da Padrela (1148 metros de altitude) e a Sul a serra de Santa Comba (1013 metros de altitude), a Nordeste destaca-se a Serra do Barracão (786 metros de altitude) – apesar de integrar o planalto transmontano.
À situação de montanha supracitada, contrapõe-se um vale profundo e fértil, no qual serpenteiam linhas de água, onde se registam altitudes que rondam os 300 – 400 metros de altitude, sendo a altitude média do concelho de 590 metros.
A organização da rede hidrográfica constitui um último tema no estudo da estrutura e do relevo concelhio.
Deste modo, a nível hidrológico, Valpaços caracteriza-se pela alternância de alvéolos de erosão e vales fluviais nas áreas baixas com relevos acentuados. rio
Na área Este do território concelhio, espraia-se o vale do rio Rabaçal, com um perfil transversal em U, caracterizado por um traçado de curvas muito extensas e largas, onde o rio percorre vastas áreas planas resultantes de um fosso tectónico originado por falhas e abatimentos de blocos.
De um modo geral, o traçado dos principais rios e ribeiras concelhios, apresentam uma direcção no sentido Oeste–Sudeste, testemunhando, pela feição desconcertante que assume, a fracturação existente e marcando a paisagem da área central do concelho.
Por sua vez, o traçado do rio de Curros, na área Sudoeste no concelho, apresenta uma orientação Norte–Sul, acompanhando a diminuição da altitude.
Em geral os vales alargam-se de montante para jusante, apresentando faixas ora planas, ora arenosas ou transformadas em férteis áreas agrícolas. mapa

Litologia
Atendendo ao quadro das divisões Paleogeográficas da Península Ibérica, Valpaços enquadra-se na Zona Centro-Ibérica e na Sub-zona Galaico-Transmontana.
rochasA área correspondente ao concelho compreende, essencialmente, formações graníticas sintectónicas, alternadas com rochas xistentas que se alongam por uma faixa que abrange Ervões, Algeriz, Água Revés e Veiga de Lila a aluviões actuais que ocorrem ao longo dos principais cursos de água.
Valpaços insere-se, assim, numa região na qual predominam os xistos, granitos, quartzitos, e com menor expressão, rochas filonianas e aluviões, compreendendo idades do Silúrico até aos dias de hoje. mapa

Clima e formações vegetais
Ao encetarmos o estudo do clima, teremos que salientar a distribuição das massas montanhosas e a posição latitudinal, no limite entre os anticiclones subtropicais – que originam tempo estável e seco – e os ciclones das latitudes médias – que provocam tempo chuvoso – constituem as duas principais causas dos contrastes climáticos em Portugal. A existência de uma grande massa continental (Espanha), a Leste, também exerce influência pelo desenvolvimento de mecanismos que originam situações anti-ciclónicas no Inverno e ciclónicas no Verão.
nuvensDo ponto de vista climático, o concelho insere-se num clima sub-atlântico repartindo-se por três sub-tipos, tendo como bitola o valor da temperatura. Deste modo, na fachada ocidental predomina o clima da Terra Fria de Planalto, recebendo a influência da orografia que culmina com os 1148 metros de altitude da serra da Padrela. Na área central do concelho prevalece o clima sub-atlântico da Terra de Transição, onde as formas de relevo ganham uma feição mais aplanada ou suavemente ondulada. Por último, à medida que se acentua o vale do rio Rabaçal, na parte oriental concelhia, destaca-se o clima sub-atlântico Terra Quente.
É enorme o gradiente pluviométrico Oeste-Este no Norte de Portugal: certos vales encaixados de Trás-os-Montes recebem anualmente valores semelhantes ao da orla algarvia. Apenas alguns maciços elevados, mais expostos ou isolados (como a serra da Padrela) escapam à penúria pluviométrica.
Neste sentido, a serra da Padrela comporta-se como uma barreira de condensação, face aos ventos oceânicos carregados de humidade que estão na origem da abundante precipitação – à medida que a altitude diminui há uma retracção na penetração de massas de ar húmido oceânico na área oriental do concelho (vale do rio Rabaçal), registando-se uma acentuada diminuição dos valores pluviométricos, em apenas 18,5 km em linha recta passamos de valores de precipitação superiores a 1100 mm anuais, na serra da Padrela, para 560 mm anuais em Rio Torto, conferindo ao clima uma feição mais mediterrânea.
Constata-se, assim, que no concelho de Valpaços, a quantidade de precipitação diminui de Poente para Nascente. Contudo, registam-se algumas variações pontuais devido à altitude, tendo como ilustração o caso da serra de Santa Comba na área Sul do concelho.
A precipitação média anual apresenta valores a rondar os 1 100 mm, na área Oeste do concelho, mais concretamente nas encostas expostas aos ventos de Oeste. Por outro lado, estes valores diminuem substancialmente no vale do Rabaçal, que marca o limite a Este do concelho, em que se regista valores abaixo de 600 mm por ano, devido ao facto de se encontrar mais abrigado dos ventos oceânicos. mapa
O concelho apresenta uma temperatura média anual na ordem dos 10º C na área Oeste e Nordeste, com Verões amenos e Invernos frios. À medida que nos deslocamos para o vale do Rabaçal, e pelas razões já expostas, assinala-se um aumento da temperatura com uma média anual de 14º C, com Verões quentes e os Invernos frios.
Por fim, no que respeita às espécies florestais, o concelho de Valpaços insere-se numa área de grande diversificação, determinadas pelas diferenças climáticas ou atenuadas pela acção do Homem, sendo a espécie dominante o pinheiro bravo (Pinus Pinaster). Existe, todavia, outra vegetação arbórea em equilíbrio ecológico que ocupa o solo concelhio. pinheiros
De um modo geral, as espécies vegetais mudam à medida que diminuem os valores de altitude e precipitação e se regista um aumento a temperatura. Este facto é visível na área de transição 600 – 800 metros de altitude, onde se encontra frequentemente o Zimbro (Juniperus Oxycedrus) e o carvalho negral (Quercus Pyrenaica). Nas áreas do território concelhio abaixo dos 600 metros, Terra Quente, predomina o sobreiro (Quercus Suber) e a azinheira (Quercus Ilex). Ao longo dos trechos dos principais rios predominam os habituais amieiros (Almus Glutinosa) e os salgueiros (Salix Salvofolia).

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